A febre Chikungunya é uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus Chikungunya, que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes Albopictus.

O vírus Chikungunya

O vírus Chikungunya é um arbovírus, do gênero Alphavírus (Togaviridae), é um vírus RNA.

Apresentação clínica

Após um período de incubação é de dois a dez dias (podendo chegar a 12 dias), a doença pode evoluir em três fases: fase aguda ou febril, fase subaguda e fase crônica.

Fase aguda ou febril.

Esta fase dura, em média, até 07 dias, é caracterizada principalmente por febre de início súbito, artralgia intensa, pode ocorrer, também, cefaleia e exantema maculo paular.
A febre pode ser contínua ou intermitente, normalmente é alta (acima de 39ºC).
A artralgia é geralmente poliarticular simétrica, mas pode ser assimétrica, acomete grandes e pequenas articulações e abrange com maior frequência as regiões mais distais.

Fase subaguda.

Durante esta fase a febre desaparece, podendo haver persistência ou agravamento da artralgia, incluindo poliartrite distal, exacerbação da dor articular nas regiões previamente acometidas na primeira fase e tenossinovite hipertrófica subaguda em punhos e tornozelos.
Podem estar presentes também nesta fase astenia, prurido generalizado e exantema maculopapular, em tronco, membros e região palmo-plantar. Podem surgir lesões purpúricas, vesiculares e bolhosas. Alguns pacientes podem desenvolver doença vascular periférica, fraqueza, fadiga e sintomas depressivos. Se os sintomas persistirem por mais de 3 meses após o início da doença, estará instalada a fase crônica.

Fase crônica.

O sintoma mais comum nesta fase é o acometimento articular persistente nas mesmas articulações atingidas durante a fase aguda, caracterizado por dor com ou sem edema, limitação de movimento, deformidade e ausência de eritema. Normalmente o acometimento é poliarticular e simétrico, mas pode ser assimétrico e monoarticular. Há relatos de dor também, durante a fase crônica, nas regiões sacroilíaca, lombossacra e cervical. Alguns pacientes poderão evoluir com artropatia destrutiva semelhante à artrite psoriásica ou reumatoide.
Outras manifestações descritas durante a fase crônica são fadiga, cefaleia, prurido, alopecia, exantema, bursite, tenossinovite, disestesias, parestesias, dor neuropática, fenômeno de Raynaud, alterações cerebelares, distúrbios do sono, alterações da memória, déficit de atenção, alterações do humor, turvação visual e depressão. Esta fase pode durar até três anos.


Embora a Febre de Chikungunya não seja uma doença de alta letalidade, tem elevada taxa de morbidade associada à artralgia persistente, que pode levar à incapacidade e, consequentemente, redução da produtividade e da qualidade de vida.

Devem ser consideradas como casos suspeitos todas as pessoas que apresentarem febre de início súbito maior de 38,5ºC e artralgia ou artrite intensa com início agudo e que tenham histórico recente de viagem às áreas nas quais o vírus circula de forma contínua.

Quem apresentar a infecção pelo vírus Chikungunya, fica imune o resto da vida.

Tratamento

Até o momento não existe um tratamento específico para a febre Chikungunya, como no caso da dengue, o tratamento consiste principalmente no controle dos sintomas com Paracetamol ( A OMS recomenda a dosagem de até 4g /dia. Em crianças pode ser administrado a dosagem de 50 a 60 mg por kg por dia dividido em doses ). Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia. Recomenda‐se repouso e uma boa hidratação oral dos pacientes ( pelo menos 2 litros no período de 24 horas).

Prevenção

Eliminação dos criadouros de mosquitos nas suas casas e na vizinhança.

Confirmação laboratorial

O vírus só pode ser detectado em exames de laboratório. Existem três tipos de testes capazes de detectar o Chikungunya: sorologia, PCR em tempo real (RT‐PCR) e isolamento viral. Todas essas técnicas estão disponíveis nos laboratórios de referência da rede pública.

Notificação de casos

Os casos suspeitos de Chikungunya devem ser notificados em até 24 horas a partir da suspeita inicial. Qualquer estabelecimento de saúde, público ou privado, deve informar a ocorrência de casos suspeitos às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e ao Ministério da Saúde.