Prova resolvida do Revalida - 2017 Versão 2

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Questão 1 Clínica

Uma mulher de 38 anos procurou atendimento em Unidade Básica de Saúde (UBS) por apresentar, há 4 meses, ganho de peso, fadiga, sonolência excessiva e irritabilidade. A paciente relata sentir-se muito triste, desanimada e com baixa autoestima. Ao exame físico, apresentou frequência cardíaca = 58bpm, pele seca e áspera e edema palpebral bilateral. Os demais aspectos do exame físico estavam inalterados. Os resultados dos exames solicitados indicaram dosagem sérica de hormônio tireoestimulante (TSH) = 34mUI/L (valor de referência: 0,45 a 4,5mUI/L), tendo sido repetidos e confirmado o resultado, tiroxina sérica (T4 livre) = 0,3ng/dL (valor de referência: 0,7 a 1,8ng/dL). Diante desse quadro, foi iniciado tratamento com levotiroxina 100µg/d. Após 6 semanas, foi solicitada a repetição dos exames com os seguintes resultados: TSH = 2,5mUI/L e T4 livre = 1,2ng/dL. Nessa ocasião, a paciente referiu melhora quase completa dos sintomas apresentados. Cinco meses depois, essa paciente volta à UBS para consulta expondo a suposição de que a tireoide piorou de novo. Afirma estar tomando corretamente sua medicação. Novos exames realizados nessa ocasião indicam TSH = 2,3mUI/L e T4 livre = 1,2ng/dL. Questionada, a paciente informa apresentar muita tristeza, desânimo, falta de concentração e fadiga. Ao exame físico, constata-se que não houve ganho de peso e que não há alteração na tireoide da paciente. Nessa situação, a conduta adequada é:

A informar à paciente que seu quadro clínico é compatível com tireotoxicose e que a dosagem do seu medicamento deverá ser reduzida; agendar retorno em 6 meses para a reavaliação de TSH

B informar à paciente a necessidade de aumentar a dose de levotiroxina até a resolução completa dos sintomas, independentemente dos valores de TSH e T4 livre; agendar retorno em 6 meses para reavaliação de TSH

C fazer a avaliação para transtorno depressivo como diagnóstico diferencial e, caso confirmado, discutir o início de tratamento para essa nova comorbidade; manter acompanhamento dos níveis séricos de TSH

D informar à paciente que, mediante os indícios de que a terapia com levotiroxina não está sendo efetiva, faz-se necessário estender a investigação, procedendo-se à realização de biópsia da tireoide com agulha fina



Questão 3 Clínica

Um homem de 65 anos encontra-se internado no hospital no pós-operatório imediato de uma herniorrafia inguinal à direita. Seus exames pré-operatórios apresentaram-se sem alterações. Às 2 horas da madrugada, a técnica de enfermagem recorre ao médico plantonista, pois o paciente é encontrado nu, recusa-se a colocar novamente as roupas, fala coisas sem sentido e não reconhece o familiar que o acompanha. Sua cirurgia foi realizada na manhã anterior, sem intercorrências, tendo ele recebido meperidina após o procedimento cirúrgico e metoclopramida devido a náuseas. Não se alimentou o dia todo e, ao exame físico, não se apresentaram alterações. O exame do seu estado mental mostra desorientação; ele não atende pelo nome e não sabe onde está, além de estar hipotenaz e um pouco sonolento.
Diante desse quadro, o médico plantonista deve:

A prescrever um benzodiazepínico intravenoso para a sedação do paciente e avaliar complicações pós-operatórias

B avaliar a necessidade das medicações em uso, colocar o paciente em um quarto com boa iluminação e prescrever um antipsicótico, se constatada agitação psicomotora

C conter fisicamente o paciente e iniciar sedação com midazolam intravenoso, enquanto aguarda avaliação psiquiátrica

D manter conduta expectante, dado que esses quadros regridem espontaneamente em poucas horas, e prescrever um benzodiazepínico, se constatada agitação psicomotora



Questão 4 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 32 anos, no 5º dia de puerpério de parto normal, retorna à maternidade com queixa de dor intensa na panturrilha esquerda. Nega febre, e, ao exame físico, observam-se: varizes em membros inferiores bilateralmente, panturrilha esquerda empastada com edema e aumento da temperatura local.
Diante desse quadro, a conduta adequada é recomendar:

A internação, repouso no leito, manutenção dos membros inferiores elevados e calor local

B internação, repouso no leito, realização de exame de ultrassonografia com Doppler e terapia anticoagulante

C repouso no domicílio, uso de meia elástica e orientação para retorno, caso não haja melhora em 2 dias

D repouso no domicílio, tratamento com anti-inflamatórios não hormonais e controle semanal com resultados de hemograma e coagulograma



Questão 5 Preventiva

A Figura a seguir representa as fases da influenza pandêmica de 2009 estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, a fase de alerta pandêmico para H1N1 é a de pós-pandemia.

Rev 17 ver 1 q 5

Considerando a Figura e as informações apresentadas, assinale a alternativa correta sobre o estado de preparação e resposta à pandemia de H1N1:

A na fase 3, a transmissão direta de pessoa a pessoa do vírus recombinante já é suficiente, segundo a OMS, para sustentar surtos em comunidades

B na fase 4, a OMS realiza o desenvolvimento e a distribuição de insumos voltados para a produção de vacinas específicas para controle da pandemia

C na fase 5, a maioria dos países está sob risco de ocorrência dessa doença e, por essa razão, ela é considerada como pandêmica pela OMS

D na fase 6, a OMS agiliza todo o processo de revisão da disseminação do vírus, por meio de transmissão direta, para controle da pandemia



Questão 6 Pediatria

Uma criança de 4 anos, cujos pais são diagnosticados com tuberculose pulmonar, está em acompanhamento em Unidade Básica de Saúde. Ela apresenta cartão vacinal completo, crescimento e desenvolvimento adequados e está assintomática. Realizou radiografia de tórax, que não apresentou alteração, e o teste tuberculínico (PPD), que apresentou enduração de 5mm.
Considerando-se o quadro clínico dessa criança, o tratamento da tuberculose latente (quimioprofilaxia):

A deverá ser realizado, pois ela apresenta enduração do PPD de 5mm e ausência de tuberculose

B não deverá ser realizado, pois a presença dessa enduração está relacionada à vacina BCG

C deverá ser realizado, pois os pais são bacilíferos e estão em tratamento para tuberculose

D não deverá ser realizado, pois, para isso, a enduração deveria ser de pelo menos 10mm



Questão 7 Pediatria

Um lactente de 2 anos encontra-se em atendimento no ambulatório de Pediatria por estar apresentando, há 2 dias, dor à manipulação do ouvido direito e febre (38°C). A mãe relata que a criança frequenta creche desde os 4 meses de idade, quando deixou de ser amamentado e teve o 1º episódio de otite média aguda. Este é o 5º episódio em 1 ano, e o último ocorreu há pouco mais de 1 mês. Entre os episódios agudos, não se observou efusão. As vacinas do paciente estão em dia. Ao exame físico, apresenta membrana timpânica amarelada e opacificada, com efusão em ouvido médio direito.
De acordo com o quadro clínico descrito, a principal hipótese diagnóstica é:

A otite média aguda com resistência bacteriana

B otite média crônica colesteatomatosa

C otite média aguda recorrente

D otite média crônica serosa



Questão 8 Cirurgia

Uma mulher de 72 anos foi atendida na sala de emergência de um hospital por apresentar quadro de dor abdominal com 24 horas de evolução. Ao exame físico, a paciente estava em bom estado geral, afebril, com frequência cardíaca = 88bpm e pressão arterial 150x95mmHg, e seu abdome apresentava-se doloroso à palpação em fossa ilíaca esquerda, sem sinais de irritação peritoneal. Foi realizada uma tomografia de abdome, que evidenciou quadro de diverticulite aguda, com imagem sugestiva de abcesso de 1,5cm de diâmetro junto à parede do sigmoide e ausência de pneumoperitônio. Diante desse quadro, a conduta adequada é:

A exploração cirúrgica e antibioticoterapia

B jejum, hidratação e antibioticoterapia

C drenagem percutânea do abcesso

D jejum, colonoscopia e biópsia



Questão 9 Clínica

Uma mulher de 50 anos procura atendimento médico na Unidade Básica de Saúde, com queixa de astenia progressiva há 3 meses. Ela nega quaisquer outros sintomas e afirma não fazer uso de qualquer medicação. Está na menopausa há 2 anos, sem apresentar sangramento transvaginal. Não há relato de comorbidades ou de histórico familiar de diabetes, hipertensão ou neoplasias. No exame físico da paciente, o único achado é palidez, com mucosas hipocoradas (++/4+). O hemograma solicitado mostrou: hemoglobina = 9g/dL (valor de referência: 12 a 14g/dL), hematócrito = 27%, (valor de referência: 36 a 42%), VCM = 65fL (valor de referência: 80 a 100fL), HCM = 20pg (valor de referência: 27 a 32pg), RDW = 19% (valor de referência: 11,5 a 15%); leucograma e plaquetas normais.
Com base nos achados, a conduta inicial para complementação da investigação diagnóstica dessa paciente é solicitar:

A mielograma

B dosagem de ácido fólico

C dosagem de vitamina B12

D pesquisa de sangue oculto nas fezes



Questão 10 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 34 anos, gesta 3, para 2, cesáreas 2, com idade gestacional de 37 semanas e diagnóstico de placenta prévia centroparcial, chega à maternidade com queixa de sangramento vaginal vermelho-vivo, em moderada quantidade. Ao exame físico, apresenta PA = 110x70mmHg, FC = 80bpm, batimentos cardiofetais = 132bpm e dinâmica uterina de 2 contrações de 30 segundos em 10 minutos de observação.
Nesse caso, a principal complicação e o exame indicado são:

A coagulopatia; coagulograma

B prematuridade, amnioscopia

C acretismo placentário; ultrassonografia com Doppler

D deslocamento prematuro de placenta; ultrassonografia do ventre



Questão 11 Clínica

Um homem de 45 anos, casado, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de que há 6 meses tem sentido cansaço e fadiga progressivos, com cefaleia intermitente, embaçamento visual e vertigem. Relata que há 9 meses mudou de emprego e, atualmente, trabalha em posto de gasolina. No prontuário do paciente, observa-se que houve diagnóstico anterior de anemia, tendo-lhe sido prescrito sulfato ferroso por 3 meses. Com relação a esse episódio, o paciente refere ter aderido ao tratamento, sem melhora da sintomatologia. Ao exame físico não são encontradas alterações adicionais. Foi-lhe solicitado novo hemograma e agendado retorno após uma semana, quando o paciente trouxe o exame com os seguintes resultados:

Rev 17 ver 2 q 11

Diante desse quadro clínico, o diagnóstico e o plano terapêutico adequados são:

A benzenismo; afastar o paciente do trabalho e realizar 2 hemogramas com intervalo de 15 dias

B intoxicação por organofosforados; afastar o paciente do trabalho e referenciar o caso ao neurologista

C síndrome mielodisplásica; solicitar novo hemograma em 7 dias e encaminhar o paciente ao hematologista

D anemia aplásica; encaminhar o paciente ao serviço de pronto atendimento com uma emergência médica



Questão 12 Preventiva

A segurança dos pacientes nos sistemas nacionais de saúde é uma importante preocupação mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) criou, em 2004, a Aliança Mundial pela Segurança do Paciente. No Brasil, o Ministério da Saúde instituiu, em 2013, o Programa Nacional de Segurança do Paciente.
Com relação a esse tema, é correto afirmar que:

A a cultura da segurança é uma filosofia institucional que parte do pressuposto de que a notificação de erros durante a assistência prestada aos pacientes é a condição necessária ao desenvolvimento da política pública

B os chamados erros latentes são atos inseguros, cometidos por quem está atuando em contato direto com o sistema, enquanto erros ativos são atos ou ações evitáveis dentro do sistema a partir do processo de gestão

C o sistema de notificação de incidentes da segurança do paciente, para ser efetivo, deve apresentar características como: ser não punitivo, confidencial, independente e orientado para a solução dos problemas identificados

D a formulação de planos de segurança para o paciente durante a prestação dos serviços de saúde demanda a criação de novos instrumentos para medir a segurança em cada estabelecimento médico



Questão 13 Cirurgia

Um homem de 28 anos deu entrada em um pronto-socorro hospitalar, queixando-se de dor no quadrante inferior direito do abdome, com irradiação para região lombar ipsilateral, com tempo de evolução de 2 dias, acompanhada de febre (38,2°C), disúria e diarreia. Ao exame físico, apresenta sinais de Blumberg e Rovsing positivos. Foram solicitados alguns exames complementares, cujos resultados são: leucócitos = 15.000/mm3 (valor de referência 4.000 a 11.000/mm3 ) com 22% de bastonetes (valor de referência 0 a 4%); radiografia abdominal sem alterações significativas; ultrassonografia abdominal cujo laudo indicou apêndice cecal de 8mm de diâmetro e observação para considerar a hipótese de apendicite, de acordo com os critérios clínicos. O cirurgião de plantão, suspeitando de apendicite aguda, indicou cirurgia com incisão em quadrante inferior direito. Durante o inventário cirúrgico, identificou-se um apêndice cecal de aspecto normal, sem alterações macroscópicas e sem exsudações periapendiculares. Considerando essa situação, a conduta cirúrgica adequada no período intraoperatório é:

A realizar a inspeção da cavidade, esperar o paciente acordar e discutir com a família a realização da apendicectomia

B não realizar apendicectomia, pois não há evidência de inflamação e os riscos não justificam a remoção do apêndice

C realizar apendicectomia, caso a inspeção da cavidade seja negativa para outras patologias intra-abdominais

D realizar apendicectomia, mesmo que seja encontrada outra patologia intra-abdominal



Questão 14 Clínica

Uma mulher de 66 anos foi encaminhada ao ambulatório de Hematologia de um hospital geral para investigação diagnóstica de pancitopenia. Em consulta, a paciente refere astenia progressiva nos últimos 3 meses e relata também que passou a apresentar, há 2 semanas, petéquias e gengivorragia. Diante disso, procurou atendimento médico, quando foi realizado hemograma completo que revelou anemia normocítica normocrômica, com baixa contagem de reticulócitos, leucopenia com diferencial normal e plaquetopenia. Um exame hematoscópico revelou presença de elevada porcentagem de dacriócitos (hemácias “em lágrima”). Nessa situação, qual o diagnóstico mais provável da paciente e que exame complementar deve ser solicitado para sua confirmação?

A mielofibrose; biopsia de medula óssea

B leucemia mieloide aguda; aspirado de medula óssea

C mielodisplasia; citometria de fluxo de sangue periférico

D aplasia de medula óssea; sorologia para parvovírus B19



Questão 15 Cirurgia

Um homem de 48 anos, tabagista crônico e hipertenso, é admitido em um hospital para correção de aneurisma aortoilíaco esquerdo, com a utilização de prótese vascular. Durante a checagem de informações do protocolo de cirurgia segura, a conduta adequada do cirurgião assistente é:

A indicar antibioticoterapia e não profilaxia para minimizar o risco de infecção

B indicar antibioticoprofilaxia em cirurgia vascular porque há o uso de prótese

C indicar antibioticoprofilaxia em paciente porque há comorbidades

D não indicar antibioticoprofilaxia por tratar-se de cirurgia limpa



Questão 16 Clínica

Uma mulher de 49 anos é encaminhada para o ambulatório de Oncologia, em razão de diagnóstico recente de adenocarcinoma de pulmão, com CA de pulmão não pequenas células em estágio IIIA (T3N1). A paciente nega qualquer história de tabagismo, cabendo ao médico fornecer-lhe, na consulta atual, informações sobre a sua doença e o tratamento ao qual será submetida.
Assinale a alternativa que apresenta informações adequadas sobre a doença ou o tratamento a serem dadas pelo médico:

A a mudança recente da epidemiologia do câncer de pulmão revela que cerca de 50% dos casos ocorrem em pacientes que nunca fumaram

B a inclusão de cisplatina no seu tratamento deverá produzir-lhe uma expectativa de sobrevida em 5 anos superior a 80%

C o tipo histológico que seria mais esperado no seu caso seria o carcinoma espinocelular, em razão do seu sexo

D o tratamento indicado para a paciente deve consistir em cirurgia e quimioterapia adjuvante



Questão 17 Pediatria

Uma criança de sexo masculino de 6 anos de idade é internado em hospital para investigação de púrpura palpável, não pruriginosa, com lesões de tamanhos variados, acometendo, bilateralmente, região glútea e membros inferiores, incluindo planta dos pés. Há 1 mês, as lesões cutâneas vêm aparecendo em surtos com intervalos de 1 semana. A mãe nega rigidez matinal e relata que o quadro se iniciou com dor abdominal difusa, às vezes definida como periumbilical, em cólicas, com pesquisa de sangue oculto positiva nas fezes. A criança não apresenta febre, lesões de face ou mucosas, nem adenomegalias. Não houve uso de medicações antes do aparecimento dos sintomas. Ao exame, além da púrpura, apresenta edema e dor em joelhos e tornozelos. Entre os exames laboratoriais, foram evidenciados leucocitose discreta sem desvio à esquerda; anemia normocítica e normocrômica, sem reticulocitose; número de plaquetas levemente aumentado; velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa levemente elevadas, além de pesquisa de antinuclear (FAN) negativa. Exame simples de urina apresentou hematúria microscópica e proteinúria (+), anterior à internação, mas, no momento, o sedimento urinário está normal.
De acordo com os dados clínicos e laboratoriais do paciente, o diagnóstico e o tratamento adequados são:

A doença de Kawasaki; gamaglobulina intravenosa e ácido acetilsalicílico

B lúpus eritematoso sistêmico juvenil; pulsoterapia com metilprednisolona

C púrpura de Henoch-Schönlein; prednisona

D artrite idiopática juvenil; ibuprofeno



Questão 18 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 45 anos comparece ao ambulatório de Ginecologia com queixas de aumento do volume abdominal e irregularidade menstrual. Realiza ultrassonografia transvaginal que evidencia, no ovário direito, imagem anecoica, arredondada, com paredes finas, contornos regulares, limites bem definidos e septações grosseiras em seu interior, medindo 14x12cm em seus maiores diâmetros.
Nesse caso, a conduta adequada é:

A iniciar tratamento clínico com anticoncepcional combinado e controle trimestral com ultrassonografia

B realizar marcadores tumorais e proceder a laparotomia com exame de congelação no intraoperatório

C acompanhar de forma expectante e reavaliar resultado de ultrassonografia após 2 meses

D realizar punção e drenagem do cisto, guiadas por ultrassonografia



Questão 19 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher com 30 anos de idade, primigesta, com gestação a termo, internada em um hospital, apresenta pré-eclâmpsia com sinais de sofrimento fetal, tendo-se optado por interrupção da gestação. Em seu prontuário, registra-se que, no 2º trimestre da gestação, a paciente havia apresentado dosagens de TSH = 5,0µU/L (valor de referência: 0,3 a 4,0µU/L) e de T4 livre = 0,7ng/L (valor de referência: 0,9 a 1,7ng/L), tendo sido aumentada a dose da levotiroxina que a paciente usava algum tempo antes de iniciada a gravidez, de 50µg para 100µg.
No puerpério imediato, ainda durante a sua internação hospitalar, qual deve ser a indicação adequada para a paciente quanto à dose diária de levotiroxina?

A manter a dose de 100µg até o 28º dia de puerpério

B retornar o uso regular para a dose pré-gestacional de 50µg

C aumentar para 125µg e manter durante o período de lactação

D suspender o uso dessa medicação e avaliar, em 40 dias, a necessidade de reintroduzir o medicamento



Questão 20 Cirurgia

Uma mulher de 75 anos, previamente hígida e ativa, ao ser atendida em uma Unidade Básica de Saúde, refere que há 2 dias está com dor intensa na região coxofemoral direita, que irradia para a região medial da coxa e joelho, o que lhe causa grande dificuldade para deambular. Questionada sobre queda, a paciente nega a ocorrência, assim como os familiares que a acompanham. Ela refere, ainda, tontura esporádica ao levantar-se da cama e nega outros sintomas, outras comorbidades ou uso contínuo de medicação. Tem joelhos valgos. Ao exame físico, apresenta pressão arterial = 150x100mmHg, e tanto a ausculta cardiorrespiratória quanto o restante do exame físico são normais. Os exames de imagem mostram uma fratura de colo de fêmur estágio II da Classificação de Garden (fraturas sem desvio).
Qual deve ser a conduta terapêutica adequada nesse caso?

A redução aberta com realização de osteossíntese

B redução fechada com realização de osteossíntese

C artroplastia total do quadril devido à boa saúde prévia da paciente

D tratamento não operatório devido à boa evolução e consolidação da fratura Comentário: Para fratura do colo femoral podemos utilizar a classificação de Garden. Esta



Questão 21 Clínica

Uma mulher de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde com queixa de dores intensas nas articulações das mãos e dos pés associadas à rigidez matinal, com duração de cerca de 15 minutos e prejuízo funcional. Relata que os sintomas começaram há 3 meses, quando, ao passar as férias de verão em outro estado, apresentou quadro de febre alta, além de manchas vermelhas no rosto, nos braços e no tórax, as quais persistiram por cerca de 10 dias. Informa que não procurou atendimento médico na ocasião, passando a fazer uso de dipirona para alívio da dor, com melhora não satisfatória. O exame clínico atual evidencia edema e dor nas articulações interfalangianas distais, bilateralmente, e em tornozelos, não sendo observados, no momento, lesões de pele, mucosas ou nódulos subcutâneos. Os resultados do hemograma completo e do exame de urina de rotina revelaram-se normais.
Diante desse quadro, quais são o diagnóstico e o tratamento adequado?

A osteoartrose; acetaminofeno

B artrite reumatoide; metotrexato

C chikungunya; hidroxicloroquina

D lúpus eritematoso sistêmico; prednisolona



Questão 22 Pediatria

Um menino de 5 anos e 11 meses faz seguimento de rotina em Unidade Básica de Saúde desde o nascimento, sem antecedentes mórbidos relevantes. Em sua última consulta, há 1 ano, sua estatura era de 110cm; na consulta atual, está medindo 111cm.
Há 4 meses, passou a apresentar cefaleia holocraniana diária, de intensidade moderada a forte, e dificuldade visual. A avaliação oftalmológica revelou hemianopsia bitemporal. A principal hipótese diagnóstica para esse caso é:

A cordoma

B schwannoma

C craniofaringioma

D tumor do plexo coroide



Questão 23 Pediatria

Uma lactente de 15 meses é levada pela mãe ao pronto-socorro. A mãe relata que o coração do bebê está muito acelerado. A mãe nega outras queixas e informa que realiza acompanhamento regularmente na Unidade Básica de Saúde, não tendo ocorrido, até então, intercorrências. Ao exame físico, a lactente apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada, afebril, consciente, com boa perfusão periférica, saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. BNF 2T sem sopro audível, frequência cardíaca = 230bpm, ausência de edema e pulsos de boa amplitude. O eletrocardiograma apresenta: onda P não visível, intervalo RR fixo, QRS estreito (menor que 0,09 segundo).
Diante desse quadro, além da manobra vagal, a conduta inicial adequada é:

A administrar lidocaína

B administrar adenosina

C administrar amiodarona

D realizar cardioversão elétrica sincronizada



Questão 24 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 25 anos, em uso de fluoxetina 40mg ao dia há 16 meses devido a transtorno de ansiedade generalizada leve, documentado em prontuário, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) porque acabou de descobrir que está grávida e deseja iniciar o pré-natal. Diz que a ansiedade está bem melhor há quase 1 ano e que não sente mais os sintomas que eram comuns quando começou o tratamento. Relata ter muito medo de que algo ruim aconteça com o bebê, pois sabe que o uso de alguns medicamentos pode prejudicar o desenvolvimento do feto e gostaria de saber se o uso de fluoxetina é seguro.
Diante dessa situação, a conduta indicada é:

A trocar o uso de fluoxetina pelo de amitriptilina, um antidepressivo tricíclico, para maior segurança do feto e da mãe durante a gestação

B suspender gradualmente o uso de fluoxetina e substituí-la por benzodiazepínico, dado o menor risco de efeitos colaterais destes sobre o feto

C aumentar a dose de fluoxetina, já que essa substância não apresenta quaisquer riscos durante a gestação que cursa com descompensação de problemas psiquiátricos prévios

D suspender o uso da fluoxetina e incentivar a paciente a retornos frequentes à UBS, com posterior reavaliação do caso e da necessidade de reiniciar a medicação ou proceder à intervenção não farmacológica



Questão 25 Clínica

Uma mulher de 60 anos, previamente hígida, relata, em atendimento médico, lesões cutâneas bastante dolorosas no dorso, surgidas há menos de 24 horas. Ao exame físico, evidencia-se a presença de erupção vesiculosa sobre base eritematosa de localização unilateral no trajeto do dermátomo T3.
Com base nessas informações e na principal hipótese diagnóstica para o caso, é correto afirmar que:

A o tratamento antiviral oral previne a dor crônica por neuralgia

B a dor crônica por neuralgia é uma complicação frequente e debilitante

C a amitriptilina não deve ser indicada no controle da dor crônica por neuralgia

D a dor intensa provocada por neurite aguda é característica raramente presente na apresentação clínica



Questão 26 Preventiva

O gestor de saúde de um município de 200.000 habitantes no Brasil desenvolveu um estudo para estimar a prevalência de hipertensão arterial sistêmica para o planejamento da atenção à saúde dessa população, especialmente a dispensação de medicamentos anti-hipertensivos. Em uma amostra de 2.500 pessoas pesquisadas, 20% (IC95% = 18,5-21,5) apresentavam diagnóstico de hipertensão e já tinham indicação de tratamento medicamentoso. No mesmo ano em que foi desenvolvida a pesquisa, 19% da população utilizou as farmácias municipais e privadas para tratamento da hipertensão.
Considerando essas informações, assinale a alternativa correta acerca dessa situação epidemiológica:

A a adesão ao tratamento da hipertensão está adequada, uma vez que a proporção de pacientes que utilizaram as farmácias para esse tratamento pode ser igual à prevalência estimada da hipertensão

B a adesão ao tratamento da hipertensão não pode ser avaliada, uma vez que a proporção de pacientes que utilizaram as farmácias para esse tratamento está abaixo da prevalência estimada de hipertensão

C são necessárias campanhas de orientação para a prevenção secundária da hipertensão arterial, pois a prevalência estimada no município é muito maior do que a prevalência atual no país

D a estimativa da prevalência de hipertensão arterial no município varia de 18,5% a 21,5%, o que dificulta a implementação de políticas estratégicas de adesão ao tratamento nesse município em particular



Questão 27 Clínica

Um homem de 75 anos, acompanhado da filha, é atendido em consulta no ambulatório de Geriatria. A filha revela estar preocupada com os problemas de memória do pai que, segundo ela, tem estado desatento nas últimas 2 semanas, incapaz de lembrar seus compromissos, além de ter se perdido ao dirigir, ter sido incapaz de utilizar o telefone celular e de não ter certeza do próprio endereço. A filha informa que o paciente faz uso de vários medicamentos, não sabendo informar o nome deles. O paciente não apresenta sintomas depressivos comórbidos e não tem história pregressa de uso de tabaco ou álcool. Ao exame físico, o paciente mostra-se normal.
Considerando a situação descrita, a medida inicial apropriada para a elucidação diagnóstica é:

A excluir a possibilidade de delirium por uso de medicações, pedindo à filha que traga a lista completa de medicações em uso pelo paciente

B iniciar o diagnóstico diferencial de demências mediante a solicitação de ressonância magnética do cérebro

C avaliar a possibilidade de tumor cerebral e solicitar tomografia computadorizada do cérebro

D investigar a possibilidade de neurocisticercose e solicitar tomografia computadorizada do cérebro



Questão 28 Cirurgia

Durante plantão em enfermaria de um hospital, o médico plantonista é chamado pela equipe de enfermagem porque um homem, de 38 anos, que aguarda para realização de uma herniorrafia eletiva, apresenta uma crise. Chegando ao quarto, o médico se depara com o paciente referindo dor torácica, taquicardia, dispneia, tontura e sudorese de início súbito. Imediatamente, o médico avalia o paciente, que refere medo de estar tendo um ataque cardíaco e de “estar ficando louco”. Não possui antecedentes de doença dignos de nota. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca = 110bpm e frequência respiratória = 32irpm, sem evidenciar outras alterações. Avaliações cardiológica, metabólica e pulmonar de emergência também apresentam resultados normais. O paciente não tem histórico de doenças cardíacas nem apresenta fatores de risco cardiovascular. O médico chega à hipótese diagnóstica de crise de pânico.
Considerando esse quadro clínico e a correspondente hipótese diagnóstica, o médico plantonista deve:

A prescrever imediatamente prometazina 25mg via intramuscular, repetir a aplicação com essa dosagem, se necessário, e cancelar a cirurgia por necessidade de encaminhamento do paciente para a psiquiatria de emergência

B tranquilizar o paciente, orientá-lo para que respire devagar e profundamente e considerar o uso de benzodiazepínicos em caso de crise muito prolongada ou grave

C iniciar tratamento com inibidor seletivo da recaptação de serotonina e agendar visita do psicólogo do hospital para uma avaliação do paciente em 2 dias, período em que este deve ficar internado

D prescrever imediatamente haloperidol 5mg via intramuscular, conter fisicamente o paciente e manter a data da cirurgia, pois a medicação anestésica pode reverter o quadro e aliviar os sintomas



Questão 29 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 27 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para apresentar resultado de seu primeiro exame preventivo, cujo laudo citopatológico do colo uterino demonstra “células escamosas atípicas de significado indeterminado possivelmente não neoplásicas”.
Para o caso descrito, a conduta médica adequada, de acordo com as Diretrizes do Ministério da Saúde, é:

A encaminhar a paciente para imediata colposcopia

B encaminhar a paciente para exérese da zona de transformação

C solicitar a repetição do exame preventivo com novo exame citopatológico em um ano

D solicitar a repetição do exame preventivo com novo exame citopatológico em 6 meses



Questão 30 Preventiva

Um homem de 42 anos, servidor público, motorista do SAMU 192 (suporte avançado) há 22 anos, consultou-se com ortopedista de sua própria equipe queixando-se de forte dor em região lombar havia 3 meses, com irradiação para a região medial dos membros inferiores. O ortopedista receitou-lhe analgésico e entregou-lhe um relatório no qual sugeria afastamento do trabalho para investigação diagnóstica, fisioterapia e repouso por 15 dias. O servidor foi encaminhado ao departamento de saúde do trabalhador para a realização de perícia médica, tendo seu pedido de licença negado sob a alegação de que deveria primeiramente realizar os exames indicados para diagnóstico e tratamento adequados. Diante dessa situação, o motorista avisou à sua equipe que faltaria ao plantão por 2 semanas. A equipe informou o fato à sua chefia imediata, que apontou falta injustificada ao motorista e aplicou-lhe advertência.
Nesse caso, o motorista deveria:

A ajuizar ação contra a sua equipe, por falta de relacionamento ético-profissional, solicitando reparação por danos morais

B ter se comunicado primeiro com a própria equipe de trabalho, não ter faltado aos plantões e ter acertado a adaptação do seu assento

C ajuizar ação contra a sua chefia imediata, para a obtenção de mandado de segurança, a fim de ser ressarcido dos dias descontados de seu salário

D ter comunicado o fato ao setor de recursos humanos e a sua chefia imediata e aguardado o posicionamento deles antes de comunicar sua ausência à equipe



Questão 31 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 25 anos, provinda da região Nordeste do Brasil, na 16ª semana de sua 1ª gestação, é atendida na Unidade Básica de Saúde (UBS) para a realização de pré-natal, referindo discreto exantema com prurido há 2 dias, acompanhado de um episódio de febre de 38°C, além de poliartralgia discreta. Ao exame físico, apresenta temperatura axilar = 37,8°C, hiperemia conjuntival, frequência respiratória = 18irpm, frequência cardíaca = 80bpm, com exantema difuso discreto. Realizada a prova do laço, o resultado mostra-se negativo. Não se constataram visceromegalias e outros sinais ou achados ao exame físico.
Considerando a hipótese provável de infecção viral e realizada a Notificação Compulsória da suspeita clínica de infecção por zika vírus e dengue, a conduta médica indicada é:

A solicitar à paciente o retorno diário à UBS, com monitoramento domiciliar da temperatura, para acompanhar evolução clínica e laboratorial com realização de hemograma completo e funções hepática e renal sequenciais

B solicitar imediatamente pesquisa para infecção por zika vírus (por RT-PCR) e dengue (por NS- 1), além de recomendar à paciente a adoção de medidas de proteção pessoal e familiar para minimizar a exposição ao vetor

C encaminhar a paciente ao serviço de saúde de referência para gestão de alto risco, sugerindo investigação das hipóteses de infecção por zika vírus ou de dengue e solicitar exame ultrassonográfico obstétrico

D solicitar avaliação complementar e sequencial de plaquetas em Unidade de Pronto Atendimento e sorologia para infecção por zika vírus no 6º dia dos sintomas, orientando a paciente acerca dos sinais de alerta



Questão 32 Pediatria

Um lactente de 3 meses é atendido em sua 3ª consulta em Unidade Básica de Saúde. Segundo o prontuário do paciente, ele nasceu a termo por meio de parto normal, pesando 2.950g e medindo 49cm, sem intercorrências, e tendo alta após 24 horas do nascimento. Pré-natal sem alterações. As emissões otoacústicas evocadas, realizadas 2 vezes, e o potencial evocado do tronco encefálico mostram-se alterados (respostas não satisfatórias). Foi realizado um novo potencial evocado do tronco encefálico, e o resultado mostra-se normal. O exame físico atual não apresenta alterações, assim como o crescimento e o desenvolvimento da criança.
Na situação descrita, a conduta adequada é o acompanhamento audiológico do paciente na unidade

A básica, em conjunto com a especializada

B especializada, com realização de audiometria

C básica, com observação do seu desenvolvimento

D especializada, para tratamento específico de otite crônica



Questão 33 Preventiva

A Equipe de Saúde da Família de determinada Unidade Básica de Saúde (UBS) na região Norte do país iniciou, em 2017, o planejamento e o desenvolvimento de algumas atividades estratégicas que incluíam ações voltadas para: 1 - Busca ativa e diagnóstico da hanseníase. 2 - Busca ativa de sintomáticos respiratórios. 3 - Condução de grupo de orientação alimentar para pessoas com diabetes mellitus e hipertensão artéria sistêmica. 4 - Implementação de campanha de incentivo à realização de testes rápidos para a detecção de hepatites virais B e C.
Espera-se, com essas medidas, que os indicadores de saúde, na área de abrangência dessa UBS, tenham a seguinte evolução:

A aumento da taxa de detecção de casos novos de hanseníase; aumento da taxa de incidência de tuberculose; diminuição da taxa de internação por infarto agudo do miocárdio e por acidente vascular cerebral; e aumento das taxas de prevalência das hepatites virais B e C

B diminuição da taxa de prevalência da hanseníase; diminuição da taxa de mortalidade por tuberculose; diminuição das taxas de letalidade por infarto agudo do miocárdio e por acidente vascular cerebral; e diminuição das taxas de prevalência das hepatites virais B e C

C aumento da taxa de prevalência da hanseníase; diminuição da taxa de mortalidade proporcional por tuberculose; diminuição dos coeficientes de prevalência de diabetes mellitus e hipertensão arterial; e diminuição das taxas de mortalidade por hepatites virais B e C

D aumento da taxa de detecção de casos novos de hanseníase em crianças; aumento da taxa de cura da tuberculose; diminuição das taxas de mortalidade por diabetes mellitus e hipertensão arterial; e diminuição das taxas de letalidade por hepatites virais B e C



Questão 35 Cirurgia

Uma paciente de 71 anos, com diagnóstico de catarata bilateral definido em avaliação anterior, há 6 meses, é atendida no ambulatório para programação de cirurgia de catarata, categoria de procedimento de pequeno porte e de curta permanência, sob anestesia local. Registradas no prontuário da paciente, constam as seguintes informações: sobrepeso (índice de massa corpórea = 26kg/m2) e hipertensão arterial sistêmica e hipercolesterolemia, em acompanhamento com cardiologista periodicamente (última consulta há 2 meses) e uso de medicação de rotina (propranolol e sinvastatina). Ao exame físico, conclui-se que, da consulta anterior para a atual, não há mudanças na situação clínica da paciente. Dentre os cuidados pré-operatórios à paciente, qual é a conduta médica mais adequada?

A solicitar os seguintes exames laboratoriais: hemograma, glicemia, eletrólitos, bem como a realização de radiografia de tórax e eletrocardiograma, para identificar doenças não detectadas pelo exame clínico; recomendar à paciente, ainda, que interrompa as medicações de uso contínuo 1 semana antes da cirurgia

B solicitar exames laboratoriais para verificar taxa de creatinina e ureia, bem como a realização de eletrocardiograma e ecocardiograma transtorácico devido ao diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica; recomendar à paciente que mantenha as medicações de uso contínuo

C solicitar os seguintes exames laboratoriais: hemograma, glicemia e eletrólitos, porque a paciente tem hipertensão arterial sistêmica e mais de 50 anos; recomendar à paciente que interrompa as medicações de uso contínuo na véspera da cirurgia

D dispensar a solicitação de exames, pois a paciente é portadora de hipertensão arterial sistêmica compensada e está sob acompanhamento médico; recomendar à paciente que mantenha as medicações de uso contínuo



Questão 36 Pediatria

Uma menina de 2 anos é atendida pelo pediatra em decorrência de aumento de mamas. A mãe da menor relata que vem notando que as mamas da criança vêm crescendo progressivamente no último ano, de forma flutuante, ou seja, ora parecem aumentar, ora parecem reduzir de tamanho. A mãe nega surgimento de pelos pubianos, odor axilar ou surgimento de menstruação. Nega doenças prévias. Ao exame, a criança mostra-se em bom estado geral, corada, hidratada, com broto mamário aumentado de tamanho (escala M2 de Tanner), sem evidência de pilificação em regiões axilar e pubiana, com mucosa rosada na genitália e pele sem manchas. De acordo com o quadro clínico descrito, o exame complementar a ser solicitado é:

A tomografia de abdome

B cariótipo com bandas G

C radiografia de punhos

D dosagem de LH/FSH



Questão 37 Ginecologia-Obstetrícia

Uma mulher de 26 anos, Gesta 3 Para 1 Aborto 1, no curso de 39 semanas e 2 dias de gestação, e diagnóstico de diabetes gestacional, é admitida para acompanhamento do trabalho de parto. No exame inicial, apresenta colo dilatado para 5cm, bolsa rota e apresentação cefálica no plano -1 de DeLee. Evolui bem e em 4 horas atinge a dilatação completa. Na assistência ao 2º período do parto, após o desprendimento do polo cefálico, constata-se dificuldade para liberação do ombro do nascituro. Nesse caso, como manobra a ser imediatamente realizada, deve-se:

A rodar o polo cefálico do nascituro para OP ou OS, flexioná-lo e impulsioná-lo para refazer o caminho do canal de parto

B empurrar o ombro anterior do feto em direção ao tórax fetal, reduzindo o diâmetro bisacromial e liberando o ombro anterior encravado

C hiperfletir e abduzir as coxas da parturiente sobre o abdome e, simultaneamente, exercer pressão suprapúbica

D colocar a mão atrás do ombro posterior do feto e rodá-lo progressivamente a 180°, de maneira similar ao movimento de um saca-rolha, de modo a desencravar o ombro anterior



Questão 38 Pediatria

Uma menina de 8 anos encontra-se internada em unidade hospitalar para tratamento de leucemia linfoide aguda. Cerca de 15 dias após uma sessão de quimioterapia, a paciente apresenta episódio de febre de 38,5°C. Ao exame, verifica-se que a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a pressão arterial estão normais para a idade, não havendo nenhum sinal de localização da febre. O hemograma vem mantendo contagem de neutrófilos abaixo de 500 células/mm3 nos últimos 7 dias.
A conduta apropriada a ser adotada para essa paciente é:

A colher hemocultura (2 amostras) e urinocultura, realizar radiografia de tórax e tomografia de seios da face e iniciar antibioticoterapia de acordo com os resultados dos exames

B colher hemocultura (2 amostras), avaliar a realização de radiografia de tórax e uroanálise e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro

C tratar o caso como choque séptico, iniciando expansão volêmica e antibioticoterapia empírica de amplo espectro

D iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro, após serem afastadas as causas não infecciosas da febre



Questão 39 Ginecologia-Obstetrícia

Uma primigesta de 15 anos procura o pronto-socorro com queixas de sangramento vaginal e dor no baixo-ventre há 12 horas. Relata ter descoberto a gravidez há 15 dias, com atraso menstrual de 10 semanas, e se diz bastante apreensiva com o fato de seus pais descobrirem que ela tem vida sexual ativa. Informa, ainda, ter procurado ajuda para interromper a gestação e tomado alguns comprimidos fornecidos por uma amiga. Ao exame, mostra-se em bom estado geral, afebril, hipocorada (+/4+), com PA = 110x60mmHg. Ao exame ginecológico, o médico constata a presença de pequena quantidade de sangue coagulado em fundo de saco vaginal, sem saída ativa de sangue pelo orifício do colo uterino; colo amolecido, com orifício externo entreaberto e orifício interno fechado; útero aumentado de volume compatível com 10 a 12 semanas de gestação.
Nesse caso, o diagnóstico correto é:

A ameaça de abortamento

B abortamento inevitável

C abortamento incompleto

D abortamento infectado



Questão 40 Clínica

Um homem de 38 anos, portador de diabetes mellitustipo 1 desde os 12 anos, sem tratamento regular de sua doença de base, foi admitido no centro de tratamento intensivo em razão de quadro de sepse grave. Segundo relato de familiar, o paciente iniciou, há cerca de 4 dias, quadro de tosse produtiva e febre alta. Fez uso de sintomáticos (mucolítico e antitérmico) sem obter melhora. Há 24 horas, passou a apresentar diminuição importante de débito urinário e, há 3 horas, prostração e rebaixamento do nível de consciência. O exame físico demonstra temperatura axilar = 38,6°C, frequência cardíaca = 112bpm, frequência respiratória = 33irpm (com tiragem intercostal) e pressão arterial = 68x40mmHg. Solicitados exames complementares de urgência, o hemograma revela 26.000 leucócitos/mm3 (valor de referência: 4.000 a 10.000/mm3 ) e 16% bastões (valor de referência: 0 a 5%).
Diante desse quadro, a conduta inicial apropriada deve ser:

A colher hemoculturas e iniciar imediatamente ressuscitação volêmica e antibioticoterapia direcionada a germes atípicos com claritromicina

B colher hemoculturas e iniciar imediatamente ressuscitação volêmica e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro com ceftriaxona e azitromicina

C colher secreção traqueal para bacterioscopia e cultura e solicitar tomografia computadorizada de tórax de alta resolução, para definir esquema antibiótico

D colher secreção traqueal para bacterioscopia e cultura e solicitar radiografia de tórax em AP no leito, aguardando resultados para início da antibioticoterapia



Questão 41 Preventiva

Em reunião da Equipe de Saúde da Família com profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, põe-se em discussão o caso de um homem com 50 anos e histórico de hipertensão arterial, tabagismo, obesidade e má adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso. A equipe começa a discutir formas de abordagem ao paciente.
Como estratégia de abordagem para a mudança de estilo de vida desse paciente, é adequado à equipe:

A informar ao paciente as consequências clínicas que a não adesão ao tratamento pode acarretar e repetir várias vezes o aconselhamento

B focar a abordagem da ambivalência e, se necessário, utilizar o paradoxo terapêutico para lidar com a resistência do paciente

C focar a abordagem baseada no confronto das negações que o paciente relata ao resistir às mudanças propostas

D informar ao paciente sobre as soluções de mudança, enfatizando aquelas com impacto significativo no seu estilo de vida



Questão 42 Cirurgia

Uma mulher de 26 anos, obesa e multípara, com passado de dores biliares recorrentes, é atendida no Pronto-Socorro, queixando-se de dor abdominal de início abrupto, de forte intensidade, iniciada há aproximadamente 2 horas. Refere que a dor se localiza no andar superior do abdome, irradiando-se para o dorso, tendo ainda apresentado náuseas e vômitos. Ao exame físico, a paciente mostra-se hipo-hidratada (+/4+) e sente dor à palpação do abdome, que se encontra levemente distendido e com peristalse diminuída e sinal de Murphy ausente. Os exames laboratoriais mostram aumento de lipase (370UI/L; valor de referência: 0 a 160UI/L); leucócitos = 18.700/mm3 (valor de referência: 6.000 a 10.000/mm3 ); glicose sérica = 230mg/dL (valor de referência: 60 a 110mg/dL); ALT = 260UI/L (valor de referência: 0 a 35UI/L); AST = 360UI/L (valor de referência: 0 a 35UI/L) e desidrogenase lática = 425UI/L (valor de referência: 88 a 230UI/L). A paciente é internada na Unidade de Tratamento Intensivo, mas, a despeito de ser tratada de forma adequada (pausa alimentar, hidratação venosa, reposição eletrolítica e analgesia parenteral), evolui de forma grave. Após 48 horas, a paciente apresenta piora da dor abdominal, taquipneia, icterícia (2+/4+), febre elevada (39°C) e calafrios. Os exames complementares realizados nesse dia revelam piora do leucograma, com desvio à esquerda (17% de bastões; valor de referência: 0 a 5%), queda de 11% do hematócrito e aumento de escórias nitrogenadas, com elevação da ureia sérica de 15mg/dL em relação ao exame feito na admissão. Uma tomografia computadorizada dinâmica de abdome revela necrose pancreática que ocupa cerca de 35% do parênquima e dilatação significativa das vias biliares extra-hepáticas, com presença de cálculo impactado no colédoco terminal.
Nesse caso, o tratamento adequado e imediato para a paciente é instituir:

A hidratação parenteral vigorosa, nutrição parenteral total e antibioticoterapia com ciprofloxacino e ampicilina

B hidratação parenteral vigorosa, antibioticoterapia de amplo espectro e realizar colecistectomia de urgência

C antibioticoterapia de amplo espectro e realizar colangiopancreatografia retrógrada endoscópica com esfincterotomia

D nutrição enteral com cateter posicionado distalmente ao duodeno, antibioticoterapia e proceder com necrosectomia extensa



Questão 44 Preventiva

Um homem de 70 anos sentiu mal-estar durante discussão familiar com o filho em casa e procura a Unidade Básica de Saúde de referência onde faz acompanhamento com médico de família, para aferir a Pressão Arterial (PA). Após aferição da PA = 160x90mmHg, o técnico de enfermagem informa que não há mais vagas na agenda do médico. Então, a família decide levar o paciente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde o médico prescreve captopril (25mg). A PA normaliza após cerca de 40 minutos, e o paciente é liberado com encaminhamento para a realização de acompanhamento com cardiologista e nefrologista.
No que se refere ao atendimento prestado a esse paciente, assinale a opção correta:

A o fluxo de encaminhamento está correto porque casos graves como o descrito devem ser tratados em níveis de atenção de maior complexidade tecnológica

B a Atenção Primária deve ser a porta de entrada do sistema de saúde, devendo atender a todos, o que determina que esse paciente fosse incluído na agenda do médico

C o médico da UPA deveria ter referenciado o paciente para seguimento na Atenção Primária, pois esse nível de atenção é o responsável pela coordenação do cuidado

D como há pouca disponibilidade de exames complementares na Atenção Primária, o médico da UPA seguiu os trâmites da regionalização em saúde para a Atenção Terciária



Questão 47 Clínica

Uma adolescente de 16 anos é atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento com história de febre de 38,5°C, cefaleia, mialgia e dor retro-orbitária há 4 dias. Nega vômitos ou sangramentos. Ao exame físico, evidencia-se prova do laço com surgimento de 23 petéquias na área demarcada, pressão arterial e frequência cardíaca normais. O hemograma apresenta hematócrito = 49% (valor de referência: 42 ± 6%), hemoglobina = 16g/dL (valor de referência: 13,6 ± 2g/dL) e plaquetas = 6.000/mL (valor de referência: 130.000 a 370.000/mL).
Considerando o quadro clínico apresentado, a conduta adequada é:

A reposição volêmica intravenosa com 20mL/kg de soro fisiológico em 20 minutos; repetição do exame de hematócrito em 2 horas; internação da paciente em leito de terapia intensiva até sua estabilização

B reposição volêmica intravenosa com 10mL/kg de soro fisiológico na 1ª hora; repetição do exame do hematócrito em 2 horas; acompanhamento da paciente em leito de internação até sua estabilização

C hidratação oral da paciente com 60mL/kg/dia, 1/3 com solução de reidratação oral e o restante com líquidos caseiros; tratamento da paciente em regime ambulatorial com reavaliação diária do quadro clínico

D hidratação oral da paciente com 80mL/kg/dia, 1/3 com solução de reidratação oral e o restante com líquidos caseiros; tratamento da paciente em regime ambulatorial com reavaliação após melhora da febre



Questão 48 Ginecologia-Obstetrícia

Uma secundigesta de 35 anos, parto vaginal há 2 anos, sem intercorrências, é atendida em sua 1ª consulta pré-natal na 12ª semana de gestação. Apresenta classificação sanguínea “O” Rh negativo, e a tipagem do marido é “B” Rh positivo. A paciente não lembra se fez uso de imunoglobulina anti-Rh no parto anterior.
Nesse caso, a conduta correta é:

A dar seguimento mensal ao pré-natal da paciente, com teste de Coombs indireto até a 28ª semana de gestação e, se o teste permanecer negativo, administrar imunoglobulina anti-Rh na paciente

B dar seguimento mensal ao pré-natal da paciente, com teste de Coombs indireto até a 28ª semana de gestação e, sendo o resultado positivo maior que 1:16, administrar imunoglobulina anti-Rh na paciente

C solicitar teste de Coombs indireto se o 1º filho for Rh negativo e, sendo o resultado negativo, administrar imunoglobulina anti-Rh na paciente

D solicitar teste de Coombs indireto se o 1º filho for Rh positivo e, sendo o resultado positivo maior que 1:16, administrar imunoglobulina anti-Rh na paciente



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